Quanto tempo se passou desde o nosso último encontro? Há quanto tempo nossos olhos não se cruzam e o nosso ar não é o mesmo? Eu lhe respondo: desde aquele último encontro quando nossos corpos foram interrompidos de serem tocados, desde quando o laço que nos unia se desmanchou numa tentativa brusca de não poder mais nos unir.
Eu me lembro de quando nos conhecemos, de quando nos beijamos e nos abraçamos tudo feito ao compasso de uma primeira vez. Aqueles nossos encontros rápidos, cheios de carinho, de beijos doces e molhados de ternura e afeto. Nossos encontros eram regados de música de Cássia Eller e sua voz de trovão-mulher. Eu me lembro de você deslizando pelo meu corpo, respirando em cada pedaço meu, a pele se arrepiava, meu coração acelerava e éramos dois seres perdidos no mar do desejo. Tinha um gosto tão bom estar ao seu lado, tinha um gosto de tarde, um gosto que me fazia seu dono.
E agora tudo se perdeu de alguma forma junto as pedras, como partículas reduzidas ao pó da separação. Um perfil de dois desconhecidos foi apenas o que restou entre nós. Chegou uma ausência. Um tempo conjugado no passado. Uma constelação de distâncias. Um silêncio. Uma penumbra de dizer adeus. O mundo de alguma forma desaparecendo de nossos pés.
E hoje com a face vermelha, com a vida vermelha, com meus sentimentos vermelhos te escrevo sem medo todas as minhas lembranças, todos os nossos momentos, até a hora em que você me retirou do silêncio que em nós se instalou, agora quebrado por seu sorriso e seus sonhos.
Analisei o que você me pediu e sei que a cor da pele não pode ser pintada numa tela, nem em uma poesia, muito menos a cor da vida pode ser pintada, ambas só podem ser apreciadas por quem sabe amar e por quem sabe viver. Isso eu aprendi no dia em que não vi mais você e confirmei a tese no seu retorno para esta estrada. A cor da pele e a cor da vida são uma espécie de pintura nua.

Muito bom seu novo texto. Parabéns.
ResponderExcluirIntensidade, aprendizado, amadurecimento.. Um poema muito bom! Adorei amigo!
ResponderExcluirTão triste, mas tão lindo. Parabéns de novo, Pedro. *-*
ResponderExcluirHá quanto tempo não vinha por aqui. Esse texto é lindo demais. Parabéns.
ResponderExcluirQue vontade de chorar com esse texto. Lindo demais, meu poeta.
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